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Entrevistas:
Entrevista associação “Ao encontro das Raízes”
1 - Desde quando existe esta associação?
R.:
“A associação social, recreativa e cultural “Ao encontro das raízes” foi fundada no ano de 1988.”.
2 - De onde partiu a iniciativa de formação desta associação?
R.:
“Esta associação nasceu como resultado da participação da população no projecto “ De um bairro social ao encontro das raízes”
implementado pelo centro regional de segurança social do Porto em colaboração com as instituições locais: Câmara Municipal de
Lousada e Junta de Freguesia de Cristelos.”.
3 - Qual a razão do nome “Raízes”?
R.:
A designação “ Raízes” surge no âmbito do projecto anteriormente mencionado que visava a integração da população neste complexo
habitacional não deixando de parte as suas origens, pois esta realidade era nova dando que na sua maioria provinham dos meios
rurais.
4 - Quais os principais projectos, que foram ou estão a ser realizados, no âmbito da inclusão social, por parte desta
entidade?
R.:
Esta associação faz o acompanhamento a crianças, jovens e idosos tendo como objectivo principal o desenvolvimento social e a
promoção da sua qualidade de vida.
5 - Quais os projectos que estão previstos futuramente?
R.:
Esta associação tem duas valências: ATL e intervenção comunitária. Estas valências pretendem promover actividades sócio
culturais e de tempos livres para crianças, jovens e idosos estimulando a vida de grupo e em comunidade, contribuindo para a
sua inclusão social.
6 - Existiram projectos que por falta de apoio financeiro foram impedidos de se realizarem? Quais?
R.:
Estão previstos o alargamento da valência da Intervenção Comunitária com mais técnicas e apoios financeiros que permitiram
desenvolver mais actividades indo de encontro s necessidades desta população com uma resposta integrada. Prevemos também a
candidatura a uma outra valência para trabalhamos com as famílias ao nível das suas competências enquanto educadores: CAFAP_
Centro de apoio s famílias e aconselhamento parental.
7 - Estamos numa zona degradada de Lousada, nomeadamente, os bairros, que são que são alvo de exclusão social. Concorda?
Quais os outros locais que também sofrem deste problema?
R.:
Concordo plenamente com esta afirmação. Este bairro faz parte duma zona degradada. Apesar de recentemente terem sido feitas
obras por fora e reconstruírem-se os jardins a maioria das famílias são excluídas socialmente por terem tido menos
oportunidades escolares/económicas. O facto das pessoas não terem instrução e poucas delas ocupação laboral, faz delas
conformistas e adaptam-se ao pouco dinheiro que recebem da segurança social. Como a educação passa dos pais para os filhos,
estes deixam de ter objectivos alargados para a sua vida. Como são vítima de exclusão os jovens juntam-se em grupo espalhando a
sua revolta em pessoas inocentes muitas das vezes usando-as para sustentar as necessidades de qualquer jovem.
8 - Em Lousada, quantas mais associações deste género existem? Onde?
R.:
Mapa
9 - Pensa que são suficientes para combater a exclusão social em Lousada? Se não, quantas e onde seriam necessárias?
R.:
Sim
10 - Pensa que para além deste tipo de associações, como a “ Raízes” deveria haver associações mais ligadas aos problemas arquitectónicos para deficientes ou luta contra a exclusão social de doentes de SIDA, drogados etc.? Se sim, quais?
R.:
Sim. Na minha opinião não deveriam existir associações para minimizar o mesmo problema, mas sim cada uma a tratar uma
dificuldade social diferente. Se um grupo de pessoas se dedica por inteiro para um só objectivo, os resultados são muitos mais
satisfatórios, obtendo-se assim melhores resultados.
11 - Numa abordagem mais pessoal, sente que de facto faz algo de útil por Lousada? Ou por outro lado sente que podia fazer mais, se fosse mais apoiada financeiramente?
R.:
O apoio financeiro por parte da segurança social nunca é de mais. Cloro que tem de ser muito bem
Entrevista Psicologa da Escola”
1 - O que é para si a exclusão social?
R.: Exclusão Social é um fenómeno caracterizado pela agudização de desigualdades entre aqueles que mobilizam os recursos
numa participação social plena e aqueles que por falta desses mesmos recursos se encontram incapacitados para o fazer.
2 - Pode explicitar o termo de uma outra maneira?
R.: De uma maneira mais simples é o termo utilizado para se referir a uma pessoa ou a um grupo de pessoas que não tenham
determinado nível mínimo de bens para poder estar apto a participar da sociedade humana. A pobreza é uma das dimensões da
exclusão social, talvez a mais visível.
3 - Há quanto tempo trabalha com alunos?
R.: Trabalho com alunos há dois anos e meio. Desde que tirei o curso de psicologia com vertente educacional.
4 - Da sua experiência com alunos em conjunto com os seus conhecimentos na área, o que pode concluir da dimensão da exclusão
social nas escolas?
R.: De acordo com a minha experiência, centrando-me nos conselhos de Lousada e Paços de Ferreira, denoto que existe
algumas situações de alguma carência e que as mesmas causam desconforto no seio do grupo de pares, no entanto, o fenómeno não é
muito incidente neste contexto escolar!
5 - “O bullying é uma forma de exclusão social nas escolas!” Concorda?
R.: Penso que o Bullying, não é propriamente uma forma de exclusão social. O bullying está mais relacionado com uma forma
de agressão tanto por meios físicos como por meios verbais, que leva ao isolamento do indivíduo.
6 - “Pensa que talvez poderíamos associar o termo bullying ao termo “exclusão escolar”?”
R.: Sim, concordo. Seria mais correcto aplicar esse termo ao fenómeno do bullying.
7 - É capaz de arranjar uma definição que se aplique ao termo “exclusão escolar”?
R.: Trata-se de quando os alunos sentem dificuldades em integrar-se no grupo de pares, quando se sentem inferiores,
desvalorizados pelos outros. Quando se isolam de um grupo por desigualdade de recursos.
8 - Tendo em conta a definição de exclusão escolar dada e a própria relação com o bulling, que nos pode dizer da presença
destes fenómenos nesta escola?
R.: Penso que nesta escola a situação é mínima. Talvez na escola EB2/3 a realidade seja diferente. Esta escola possui
alunos mais velhos mais adultos, que possuem maior responsabilidade naquilo que fazem, têm mais noção das consequências dos
seus actos. Os alunos são mais maduros e possuem mais valores, enquanto alunos principalmente, do 5º, 6º e 7º ano de
escolaridade tendem a ter atitudes menos pensadas e agem em função de “impressionar” os colegas.
9 - De acordo com o que me acabou de dizer a situação de exclusão escolar “é mínima”. Mas de acordo com uns inquéritos que
efectuamos, pelo menos 7alunos, dos inquiridos, já foram alvo de Bullying.
R.: É importante de referir que são poucos os casos que são conhecidos, é uma realidade um pouco escondido. Por duas
razões, a vergonha da vítima em admitir e medo do agressor devido a possibilidade de represálias.
10 - É capaz de nos descrever o(s) motivo(S) mais frequentes do fenómeno de bullying nesta escola?
R.: São essencialmente os recursos económicos. O facto de um aluno não possuir roupa de marca, de não participar em
certo tipo de desportos ou não ir almoçar fora com o grupo, faz sentir o aluno isolado do grupo. O facto de não se vestir igual
aos outros, e de não poder fazer certas coisas que “o grupo” faz, são elementos importantes para o aluno se sinta excluído. Ou
por outro lado as dificuldades académicas que impedem um dado aluno de acompanhar o nível dos restantes.
11 - É capaz descrever um caso desta escola que lhe tenha marcado um pouco mais, algo mais concreto?
R.: É importante de referir que são poucos os casos que são conhecidos, por duas razões, medo e vergonha. Daquilo que eu
tenho conhecimento não posso nem devo dar pormenores de casos em particular, devido ao sigilo profissional. Mas posso dizer que
estou a lidar com um caso, não de existência de agressividade física mas mais psicológica. Trata-se de uma rapariga que tem
sentimento de inferioridade perante os colegas. Que é alvo constante de agressões psicológicas, devido ao tipo de roupa que
usa. E por outro lado devido s dificuldades intelectuais que a aluna sente nas aulas. Por estes motivos é uma pouco perseguida
e excluída pelos restantes colegas.
12 - Qual o tipo de pessoas são mais susceptíveis a sofrer de Bullying e/ou exclusão escolar?
R.: Normalmente são pessoas que são obesas, possuem dificuldades de expressão, têm “tiques” ou algo que os torna
diferentes e portanto mais susceptíveis ao gozo ou troça. São pessoas com pouca auto-estima, que não apresentam qualquer tipo
de resposta ou reacção. São “alvos fáceis”.
13 - Quais os efeitos desses que a prática de bulling pode ter nesses “Alvos fáceis”? Mudança de personalidade? Desequilíbrios
psicológicos?
R.: Numa primeira fase podem desenvolver uma fobia escola. Depois gerar sentimentos de ansiedade ou mesmo de culpa,
forçando o individuo a um sofrimento psicológico. Em casos extremos depressão ou doenças psicossomáticas.
14 - Pensa que o facto de os jovens serem excluídos nas escolas, pode vir a potencializar um futuro margem da sociedade?
R.: Depende de muitos factores. Por exemplo a capacidade de resposta do indivíduo, a sua reacção á agressão. As formas
como são tratados os casos de exclusão, também são decisivos na evolução de um processo. Ma sem dúvida que o facto de passarem
por uma situação traumática na adolescência -idade de construção de personalidade – vai potencializar todo um processo em que o
aluno se torno um individuo que tenda a isolar-se.
15 - Agora, abordada a vítima vou abordar o agressor. Quais são os motivos que levam certos alunos prática de bullying?
R.:O agressor é revelador de um mal-estar interno. O autor de bulllying vê a violência como forma de alcançar poder.
Principalmente em idades em que os indivíduos procuram, afirmar-se, entre os doze e os treze anos. Através deste comportamento
procura encontrar um posto que o faça sentir-se superior a todos os outros.
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